Conselho do FGTS aprova mudanças no MCMV: quais construtoras da B3 mais beneficiadas?

O Conselho do FGTS aprovou nova rodada de ajustes positivos no programa Minha Casa Minha Vida (MCMV). As melhorias eram altamente esperadas pelo mercado, dado o intenso fluxo de notícias no último mês e o compromisso público do governo de aprimorar o programa.

Desta vez, houve mudanças na elegibilidade de renda em todas as faixas e aumentos nos valores máximos das moradias para a Faixa 3 e a Faixa 4. E também foram mencionadas algumas mudanças na estrutura orçamentária do programa, a serem concluídas no segundo semestre de 2026.

O Conselho confirmou assim na terça-feira (24) os tetos de renda mais altos para todos os grupos e aumentos nos limites de valor dos imóveis. Os novos limites mensais de renda aumentam para R$ 3.200 (+12%) para o Grupo 1, R$ 5.000 (+6%) para o Grupo 2, R$ 9.600 (+12%) para o Grupo 3 e R$ 13.000 (+8%) para o Grupo 4.

Os tetos dos imóveis também foram aumentados, com o Grupo 3 aumentando de R$ 350 mil para R$ 400 mil (+14%) e o Grupo 4 de R$ 500 mil para R$600 mil (+20%). Essas medidas foram formalmente aprovadas durante a reunião do Conselho de ontem e se aplicarão aos programas habitacionais financiados pelo FGTS.

“Como essas mudanças já haviam sido amplamente antecipadas, a aprovação de ontem teria um impacto no mercado neutro. No entanto, o aumento formal nos limites de renda e imóveis reforça a dinâmica positiva do programa MCMV ao expandir a elegibilidade e apoiar volumes maiores de projetos”, apontam os analistas do Bradesco BBI.

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O Itaú BBA também destacou que, embora essas mudanças fossem amplamente esperadas, elas reforçam uma visão construtiva sobre o setor de baixa renda, pois esperam que a demanda se fortaleça.

Com base em suas estimativas, os limites de renda mais altos se traduzem em um aumento de 8% a 24% no poder de compra, o que deve impulsionar vendas mais fortes e volumes de lançamento potencialmente maiores.

O BBA espera que esses ajustes comecem a se refletir nos resultados operacionais a partir do segundo trimestre de 2026 e reitera preferência por empresas com maior potencial de crescimento.

A Tenda (TEND3) continua sendo a principal escolha do banco, apoiada pela expansão de seus negócios no local, seguida por Direcional (DIRR3), que deve se beneficiar da aceleração das vendas, fluxo de caixa livre mais forte e crescimento escalável – especialmente por meio de sua parceria com a Moura Dubeux (MDNE3).

O BTG Pactual ressalta a percepção de que essas mudanças sejam positivas para as construtoras de baixa renda em geral e posicionar o setor para mais um ano promissor em termos operacionais.

Isso uma vez que (i) a demanda deve permanecer muito forte (dadas as condições favoráveis do programa); e (ii) um orçamento maior deve permitir que as empresas continuem crescendo com margens elevadas e retornos saudáveis.

As mudanças devem beneficiar principalmente (i) os players mais expostos às faixas de renda mais baixa, onde o mercado potencial cresce muito (a Tenda é a principal vencedora), e (ii) os players expostos às Faixas 3 e 4, onde o poder de compra aumenta mais (a Cury – CURY3 – e a Direcional devem ser as mais beneficiadas). A Tenda segue como a top pick do segmento.

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