Taxas dos DIs disparam e curva passa a precificar chance menor de BC manter Selic

As taxas dos DIs dispararam nesta sexta-feira, chegando a subir mais de 50 pontos-base em alguns vencimentos no pior momento do dia, em meio a uma piora generalizada dos ativos de risco no Brasil e no exterior a partir do fim da manhã, em função da guerra no Oriente Médio.

Ordens de “stop loss” (paradas de perdas) foram disparadas durante a tarde, ampliando o movimento de alta na curva a termo brasileira, que apagou as apostas de que o Banco Central cortará a Selic em 0,50 ponto percentual na próxima semana, passando a precificar chance, ainda que minoritária, de manutenção da taxa básica em 15%.

Com o dólar acima dos R$5,30 e o petróleo Brent cotado acima dos US$100 o barril, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2027 estava em 14,32% no fim da tarde, com alta de 39 pontos-base ante o ajuste de 13,932% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 14,195%, com elevação de 34 pontos-base ante 13,856%.

As taxas dos DIs aceleraram entre o fim da manhã e o início da tarde, quando o preço do petróleo migrou para o território positivo no exterior e a percepção mais geral sobre a guerra no Oriente Médio piorou, afetando os mercados ao redor do mundo.

“De forma geral, estamos vendo hoje a abertura de taxas em várias economias emergentes, como o México, o Chile, a África do Sul e a Hungria”, comentou Ian Lima, gestor de renda fixa da Inter Asset. “Mas o preço no Brasil está contaminado por ‘stops’”, acrescentou, ao avaliar a forte alta das taxas durante a tarde.

A taxa do DI para janeiro de 2028 — um dos mais líquidos — atingiu a máxima de 13,975% às 14h50, em alta de 56 pontos-base ante o ajuste da véspera.

O forte avanço das taxas alterou a precificação na curva sobre o encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC da próxima semana.

A curva passou a precificar durante a tarde 65% de chance de o Copom cortar a Selic em apenas 0,25 ponto percentual na próxima semana, contra 35% de probabilidade de manutenção da taxa básica, conforme a analista Laís Costa, da Empiricus Research.

Na véspera, a precificação era diversa, com chances majoritárias para corte de 0,25 ponto percentual e minoritárias para corte de 0,50 ponto percentual.

“Entre ontem e hoje houve uma migração da probabilidade de 0,50 (ponto percentual de corte na Selic) para a manutenção”, comentou Lima, descartando que o BC possa, de fato, optar por um corte de 0,50 ponto percentual, considerando as incertezas com a guerra.

O Copom anunciará sua decisão sobre os juros na próxima quarta-feira, ao fim de sua reunião de dois dias. No encontro anterior, no final de janeiro — um mês antes de os ataques dos EUA e Israel ao Irã darem início ao conflito no Oriente Médio –, o colegiado manteve a Selic em 15% e indicou que iniciaria um ciclo de corte de juros em março.

Dados econômicos mais recentes vêm corroborando as apostas de que o Copom será cauteloso na decisão sobre a Selic. Na manhã desta sexta-feira, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que o volume de serviços avançou 0,3% em janeiro frente a dezembro e teve alta de 3,3% na comparação com janeiro do ano anterior. Economistas ouvidos em pesquisa da Reuters esperavam taxas menores de crescimento, de 0,1% e 2,8%, respectivamente.

Na terça-feira, o IBGE já havia divulgado uma inflação acima do projetado pelo mercado em fevereiro.

No exterior, os investidores também operavam em meio às preocupações com a guerra e às dúvidas sobre se o Federal Reserve terá espaço para cortar juros no segundo semestre.

Às 16h43, o rendimento do Treasury de dois anos–que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo– tinha queda de 4 pontos-base, a 3,727%. Já o retorno do título de dez anos –referência global para decisões de investimento– subia 1 ponto-base, a 4,279%.

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