
(Bloomberg) –O petróleo tem uma sessão de ganhos nesta quarta-feira (11), com os investidores avaliando as crescentes interrupções no fornecimento do Médio Oriente e uma potencial libertação de emergência das reservas de petróleo dos países ricos.
A Agência Internacional de Energia está propondo uma liberação sem precedentes de 300 a 400 milhões de barris de petróleo, com uma possível decisão ainda nesta quarta-feira, quando os líderes do G7 (grupo das sete nações mais desenvolvidas) se reunirem. Se aprovada, essa medida superaria em muito as liberações anteriores.
A proposta destaca a situação precária do mercado de petróleo após a guerra no Oriente Médio ter praticamente paralisado a navegação pelo Estreito de Ormuz — o estreito canal que normalmente transporta um quinto do fluxo global de petróleo bruto — e levado os principais produtores do Golfo Pérsico a reduzirem a produção. Três embarcações foram atingidas por projéteis na região na quarta-feira, e o conflito não dá sinais de arrefecimento.
“O mercado está voltando a se concentrar no volume interrompido devido ao fechamento do Estreito e percebendo que o trânsito ainda não é seguro”, disse Giovanni Staunovo, analista de commodities do UBS Group AG.
O Brent negocia em alta, após oscilar entre fortes ganhos e perdas durante a semana. As flutuações deram continuidade a um período de extrema volatilidade do mercado nesta semana, que viu os preços chegarem a quase US$ 120 na segunda-feira.
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Contudo, as altas foram amenizadas. Às 8h (horário de Brasília), o brent subia 2,18%, a US$ 89,67 o barril, após chegar a bater os US$ 92 mais cedo; o WTI também avança cerca de 2%, a US$ 85,17.
O preço do petróleo despencou na terça-feira, enquanto o mercado lidava com as declarações contraditórias da administração Trump sobre a guerra e a navegação pelo Estreito de Ormuz. O secretário de Energia, Chris Wright, publicou erroneamente — e depois apagou — uma mensagem afirmando que a Marinha dos EUA havia escoltado um petroleiro pelo estreito próximo ao Irã, mas a Casa Branca logo admitiu que nenhuma operação havia ocorrido.
Houve também uma série de mensagens contraditórias nas redes sociais do presidente Donald Trump sobre minas no estreito de Ormuz. Trump enfrenta crescente pressão econômica e política devido à guerra e, na noite de segunda-feira, afirmou que o conflito terminaria em breve. No entanto, autoridades americanas sinalizaram na terça-feira que as operações militares estavam se intensificando e que havia pouca chance de negociações diplomáticas.
“A sensação é de que o mercado está operando em meio à névoa da guerra, reagindo em tempo real conforme os eventos se desenrolam”, disse Rebecca Babin, trader sênior de energia do CIBC Private Wealth Group. “Os traders continuam sendo afetados por oscilações bruscas de preços e pela extrema volatilidade do petróleo bruto, com as notícias impulsionando fortes oscilações intradiárias.”
O conflito no Oriente Médio, que já dura duas semanas, envolveu mais de uma dúzia de países e gerou preocupações com uma possível crise inflacionária. O preço da gasolina no varejo americano disparou, aumentando a pressão sobre Trump.
A Arábia Saudita, o Iraque, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait reduziram sua produção coletiva em até 6,7 milhões de barris por dia, ou 6% da produção global, informou a Bloomberg na terça-feira. A maior refinaria de petróleo dos Emirados Árabes Unidos interrompeu as operações após um ataque com drone.
“ Quanto mais tempo durar a interrupção, mais drásticas serão as consequências para o mercado mundial de petróleo”, disse o presidente-executivo da Saudi Aramco, Amin Nasser, na terça-feira, em seus primeiros comentários públicos desde que a guerra interrompeu o fluxo de petróleo no Oriente Médio.
Além disso, alguns analistas mostraram-se céticos quanto à proposta da AIE e seu impacto sobre os preços do petróleo.
“Movimentos como a liberação do SPR da AIE não são a solução para a crise. A evolução dos preços do petróleo dependerá da duração da guerra com o Irã”, disse Suvro Sarkar, líder da equipe do setor de energia do DBS.
Os riscos de alta dos preços no curto prazo serão “controlados por meio de movimentos periódicos de sinalização estratégica, como vimos nos últimos dias, para acalmar os mercados”, acrescentou Sarkar.
As autoridades do G7 também se reuniram online para discutir uma possível liberação de estoques emergenciais de petróleo para amenizar o impacto no mercado.
O presidente da França, Emmanuel Macron, fará uma videochamada com outros líderes de países do G7 na quarta-feira para discutir o impacto do conflito no Oriente Médio sobre a energia e medidas para lidar com a situação.
(com Reuters e Bloomberg)
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